Estratégias de inovação em um cenário de recessão global

Temos vivido dias singulares em nossas vidas, nos últimos meses. A crise financeira iniciada nos paises ricos tem começado a refletir em economias de todo o planeta.

O cenário brasileiro frente a crise global ainda parece indefinido. Temos descoberto uma condição bastante diferenciada para atravessar os novos tempos, mas não estamos isentos dos respingos do mercado financeiro global.

Compreender a complexidade da crise, no entanto, é muito diferente de entrar em pânico frente a ela.

Vivemos um momento de ruptura com um modelo antigo da nossa sociedade, da economia e dos negócios. Diante deste novo cenário temos apontado neste blog inúmeros casos de oportunidades que se criam para quem está de olhos abertos e atento aos movimentos.

Definitivamente, há que se optar pela inércia ou pela inovação! O final de ano é um momento especial para fazermos escolhas. Qual a sua?

Ser inerte é acompanhar a massa de pessimistas. Creio que o futuro destes será, inevitavelmente, sofrer o que indicam as piores previsões econômicas…

Em um recente artigo,  Adriano Lima (Diretor da área de inovação da Altran Technologies) colabora com a discussão sobre a crise e a postura empresarial frente a ela com um modelo muito evidente e simples: a “seleção natual das espécies”.

Em suma, vivemos um ambiente com escassez de recursos, uma das condições fundamentais para a seleção das espécies ou de empresas. Os mais fortes e os mais adaptáveis sobreviverão e crescerão neste cenário. Veja um trecho selecionado:

“A teoria da seleção natural de Charles Darwin diz que uma espécie se multiplica exponencialmente em um ambiente até que a escassez de recursos leva a uma competição acirrada, onde só os mais fortes sobrevivem. Em momentos de crise o mercado se comporta como o ambiente citado por Darwin. Ocorre uma escassez de oportunidades, ou seja, um aumento de competitividade entre as “empresas de mesma espécie”. Esta competitividade leva a uma alta taxa de mortalidade daquelas menos adaptadas ao novo cenário. Assim como diz o trabalho de Charles Darwin, em um mercado em crise, apenas os competidores mais fortes sobrevivem. Certamente, nestes momentos o mercado pode ser cruel com aqueles que apenas esperarem o momento ruim passar. Quem estudar o comportamento do mercado ao longo das décadas poderá concluir que tende a seguir um ciclo previsível de períodos de alto crescimento e períodos de crise. Esta tendência mostra que após uma crise ocorre um período de mercado aquecido, seguido de um período de crise e novamente um período de mercado aquecido, etc.
Como investimentos em inovação visam resultados a médio-longo prazo, quem investe durante uma crise provavelmente poderá usufruir deste investimento no próximo período de mercado aquecido, e vice-versa. Assim, os períodos de baixas vendas podem ser considerados momentos de preparação para o próximo momento de mercado aquecido, que em breve virá.”

Apesar disso, vivemos um clima de intensa instabilidade, marcada por picos de euforia e de pessimismo. Em suma, o que podemos destacar de mais evidente é a falta de racionalidade e de objetividade em relação a como lidar com tudo isso.

É o momento de exercitarmos a criatividade e a engenhosidade do nosso pessoal e ir além, buscando parceiros de conhecimento que fortaleçam ainda mais nossas condições de competição, desenvolvendo idéias inovadoras para manter bons clientes, conquistar novos mercados e sermos mais eficientes.

Uma recente publicação da Innovation Tools e Innosight resume as principais diretrizes que devem ser seguidas para quem optou por inovar e fugir da vala comum:

  1. Inicie imediatamente um processo de planejamento e construção de cenários!
  2. Redobre seu foco nas necessidades e desejos dos seus clientes
  3. Fortaleça o posicionamento dos seus produtos e serviços usando inovações de marketing
  4. Selecione e refine seu portifolio de inovação – concentre esforços
  5. Procure oportunidades para baratear seu desenvolvimento e teste de idéias
  6. Procure parceiros de inovação, pratique a inovação aberta
  7. Busque por formas criativas para extender suas linhas de produtos atuais
  8. Renove suas relações com fornecedores e outros parceiros em potencial
  9. Avalie possíveis ameaças de inovações de ruptura no seu mercado
  10. Amplie sua visão de inovação além dos produtos, serviços e modelos de negócio. Que tal pensar em formas para cortar custos?

Nos próximos posts vamos aprofundar cada uma destas sugestões. Participe!

6 respostas a Estratégias de inovação em um cenário de recessão global

  1. em um momento como este eu gosto muito da frase: “Cash flow is more important than your mother.”

  2. Duas observações: 1. Darwin não fala que os vencedores serão os mais fortes, mas os mais adaptados (ou adaptáveis); 2. Na lista acima incluiria coisas menos agradáveis, como demissões e outros cortes de despesas.

  3. Carol diz:

    Concordo com a Teoria Charles Darwin até certo ponto. O ser humano interfere em todas as esferas, extinguindo espécies e acelerando o desmatamento, por exemplo, modificando esse processo. Não poderia ser diferente na esfera econômica. Com a ajuda americana às industrias automobilistícas, o governo estará interferindo na seleção natural que um caso clássico de não inovação e má gestão nas companhias a beira da falência.

    Mas não ajudá-las implica em demissões em massa de empregos diretos e indiretos, prejuízo para fornecedores dependentes desse segmento, uma bola de neve. A crise americana foi a melhor desculpa que as empresas automobilísticas tiveram para não entrar em colapso e estão usando isso para evitar que a crise mundial de aprofunde ainda mais, devido ao seu alto nível de influência em diversos setores. Na crise, é preciso estimular o consumo e, com desemprego, o mercado se retrai.

    Neste caso, a intervenção irá modificar a seleção natural auxiliando os maus gestores e, de maneira indireta (ou mesmo completamente direta) prejudicando empresas que sempre buscaram por processos inovadores e foram além das expectaticas, antecipando o mercado, investindo somas consideráveis para se tornarem competitivos.

  4. Após a crise, olharemos para trás e veremos que as organizações que investiram em inovação de produtos, processos, serviços, modelos de negócios, estratégias e mercados terão sobrevivido melhor, com melhor rentabilidade, maior sustentabilidade e, conseqüentemente, terão galgado posições frente aos seus competidores.

  5. Momentos de crise econômica mundial sempre houveram, mas como um vírus, toda nova crise apresenta novas variáveis impactantes. A questão é que o mundo corporativo está cada vez mais competitivo, muito por conta da globalização e da menor distância entre as fronteiras mundiais. Esse fenômeno demonstra que os executivos precisam estar cada vez mais preparados para agirem o mais próximo possível do risco calculado, ou seja, planejarem suas empresas para as inovações acontecerem medidas por todas as variáveis possíveis. Como os recursos são mais escassos nestes momentos de crise, a principal inovação está na capacidade de abrir a caixa preta empresarial e criar um ambiente criativo dentro de um modelo aberto, buscando parcerias nas universidades, centros de inovação, governos, redes, incubadoras e enfrentando a crise de forma diferenciada, plantando idéias agora para colher seus frutos pós-crise.

  6. Neste momento de apreenção mundial temos que continuar aprofundando no conhecimento dos detalhes da crise global e monitorar o que passa internamente. Um fato é patente: a crise é de erros e de insistencia nos erros; de atitudes intitucionais públicas e privadas desmesuradas, fora da realidade das coisas; de subsidíos inesplicáveis cuja conta não fecha de nenhum modo ainda que pelo social justificável e temporário. Não mais haverá espaço para incompetência, atrazos tecnológicos, falta de competitividade a nível global. Portanto, não deve haver margem para pessimismo e sim de exercitar a criatividade individual, coletiva, empresarial direcionada à eficiência e também à inclusão social sob varias formas. Considero que atravessamos um momento de grandes oportunidades para inovação onde o processo de discussão amplo e irrestrito deve ser valorizado. Parabens aos organizadores do BRAIN Inovação por fomentar e provocar essa discussão.

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