Por um São João tradicional e sustentável

Salvador, 24 de junho de 2009. A cidade, abandonada por grande parte de seus habitantes, parece engolida por uma densa nuvem. A trilha sonora poderia assustar a desavisados. Bombas explodem por segundo em todos os cantos da cidade, acompanhadas por berros entusiasmados de crianças em plena comemoração e outros não tanto felizes de bebês alheios ao que pode estar acontecendo…

Modernizadas pelas suas grandes construções e hábitos metropolitanos, as capitais não possuem mais espaços para as comemorações juninas. “São João é festa para as pequenas (cidades)”. Apesar disso, as evidências demonstram que em algum canto (ou muitos) a tradição se renova e espalha sinais para anunciar que a pretensa modernidade precisa aprender a conviver e a respeitar o que sempre foi feito.

As festas juninas são, sem dúvida, uma das mais fortes tradições da região nordeste. Carregadas de simbolismo, crenças e muito regionalismo, as comemorações representam um dos períodos festivos mais esperados pelos nordestinos. É impressionante a nostalgia que carrega tanto para quem nasceu por aqui, quanto para quem vive ou já conheceu esta realidade. Muitos hábitos praticados neste período precisam ser valorizados e estimulados em virtude das características saudáveis que carregam, a saber a interiorização econômica (mesmo que temporária) para cidades onde são comemoradas as festas, a manutenção e valorização das tradições culturais e do regionalismo, a culinária, dentre tantas outras. A música e o folclore são capítulos à parte e conduzem-nos a um imaginário comum, que incorpora as “quadrilhas” a um clima de plena harmonia.

Indiscutivelmente, a soma destes e de muitos outros fatores resulta em um dos mais importantes produtos turísticos que os estados do nordeste e o Brasil têm a explorar.  Porém ainda falta muito a ser feito para transformar este enorme potencial em um contexto que atraia o contingente de turistas e de gastos que podemos receber.

Aliás, vale lembrar que os jogos da Copa de 2014 no Brasil, terão 4 estados nordestinos como sede e acontecerão em torno das festas juninas. Ou seja, temos uma enorme oportunidade de internacionalizar este calendário e atrair paralelamente aos jogos da Copa um público estrangeiro esperado.

Não é necessário relembrar das necessidades de infra-estrutura, estradas, sinalização turística, operadores turísticos qualificados, rede elétrica adequada, esgotamento sanitário, água tratada, serviços de saúde etc. A pauta de trabalho é extensa e depende sobretudo de uma concertação entre o poder público e a iniciativa privada, em especial o trade turístico.

No entanto, fazer o que tem de ser feito não é suficiente para que o calendário junino do Nordeste entre de vez na agenda do turismo internacional e nacional. Temos que inovar! E, para isso, a sustentabilidade ambiental das festas juninas é um tema que precisa ser discutido.

Quantas toneladas de pólvora são queimadas durante o período junino?

Quantas toneladas de madeira (não certificada) são queimadas?

Não conheço estudos que estimem a emissão de CO2 na atmosfera durante esse período e o impacto para o efeito estufa, aquecimento global, derretimento de geleiras, mas sem dúvida é um tema que merece especial atenção.

Outros impactos ambientais também poderiam ser contabilizados:  queima de balões e os incêndios provocados por estes, poluição sonora e muito sangue derramado. Durante o São João, somente o banco de sangue do estado da Bahia (Hemoba) estima necessitar de pelo menos 20% a mais do que seu estoque habitual para suprir atendimento a queimados, acidentes nas estradas, entre outras necessidades do período.

Apesar de tudo isso, é uma das melhores experiências turísticas, comparável ao carnaval. E é por isso que a festa deve ser zelada, aperfeiçoada com base em uma pauta de pesquisa, desenvolvimento e muita inovação para gerarmos um São João sustentável.

Qual será primeira cidade a levantar esta bandeira? O desafio está lançado!

Quem está pesquisando ou deseja pesquisar tecnologias para solucionar estas questões? 

Os benefícios gerados são inúmeros: créditos de carbono, atração de turistas com poder aquisitivo mais elevado, bem estar da população e uma marca que jamais será esquecida.

Um novo tempo em que se preservem as tradições, valorizando os novos paradigmas globais. Todos os santos agradecem!

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