Medidas básicas para administrar a crise

30 de Julho de 2009
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Início do final da crise?

21 de Julho de 2009

A divulgação do Índice de Confiança do Empresário Industrial, medido pela CNI (Confederação Nacional da Indústria) com o empresariado divulgada ontem demonstra sinais de que podemos estar deixando os momentos mais graves da crise, que definitivamente não foi uma “marolinha”, e retomando uma curva ascendente de crescimento.

Evidente que ainda é muito cedo, os sinais globais não permitem otimismo, principalmente aqueles oriundos da Europa, do Japão e ainda dos EUA.

De qualquer modo, é a primeira vez que alguns dos indicadores revertem os sinais negativos e isso anima o empresariado, que contribuiu para a criação de um ânimo diferente, típico de início do segundo semestre, quando se aproximam os momentos de aquecimento da demanda interna em diversos setores.

Enquanto os sinais não ficam mais claros, cabe retomar uma pérola dita em recente palestra por José Roberto Mendonça de Barros, no evento de estreia da Link Investimentos e da Proinvestors na Bahia, quando afirmou que “devemos atravessar o deserto de caixa, sem matar o futuro”.

Com indícios de retomada, ainda que a níveis claramente mais baixos do que nos anos recentes, as preocupações com gestão, racionalização, downsizing e custos continuam válidas, mas a inovação está sendo entendida por todos os especialistas em desenvolvimento como o elemento-chave do novo ciclo.

Recente estudo da OCDE http://www.oecd.org/dataoecd/59/45/42983414.pdf destaca que “A crise atual é a primeira desta severidade a se abater sobre os países da OCDE desde que eles se tornaram economias de serviço baseadas em conhecimento” e aponta o papel da inovação para o desenvolvimento no longo prazo.

Então, é hora de cuidar do futuro, ainda que as dificuldades do presente estejam aí para serem superadas. E a inovação é uma aposta segura para caminhar em direção ao futuro.

Relembrando o clássico “Um TOC na cuca” de Roger von Oech, está na hora de romper os bloqueios mentais com um pensamento inovador, pois é questão de sobrevivência.


Empreendedorismo, Oportunidades e Inovação

15 de Julho de 2009

Noticia animadora vinda da nova edição do GEM (Global Entrepreneurship Monitor), estudo que avalia a atividade empreendedora em 43 paises. Em 2008, pela primeira vez no Brasil, verificou-se que o número de empresas criadas a partir da identificação de oportunidades superou o empreendedorismo por necessidade, aquele que acontece pela falta de oportunidades de emprego.

Que o Brasil é um país empreendedor, não há dúvida. Estamos entre os primeiros do mundo. Porém essa pesquisa reverte um quadro preocupante de anos anteriores quando havia uma predominância de projetos empresariais frágeis, baseados apenas em necessidades de geração do auto-emprego.

Por outro lado, uma fator permanece muito distante de nossas expectativas: o empreendedorismo brasileiro ainda é um dos que apresenta menores taxas de inovação.

Visite a página do GEM e veja o estudo completo.

Leia também o artigo “Capital de risco e o financiamento ao empreendedorismo inovador“, que aborda esta questão e seu impacto para mercado de capital de risco.


Por falar em crise…

6 de Julho de 2009

Leia o artigo do reitor Naomar de Almeida Filho, publicado pelo jornal Folha de São Paulo, em 05 de julho de 2009:

 

Cinco teses sobre a crise…

NAOMAR DE ALMEIDA FILHO


A missão da universidade no século 21 será provocar crises de transformação e renovação, que proponho chamar de crises miltonianas


… NA UNIVERSIDADE é o que proponho neste breve comentário.
Pierre Bourdieu, cientista social recentemente falecido, avançou uma crítica à escola em geral e à universidade em particular como dispositivos do Estado para a reprodução social.
Eis a base da primeira tese: a universidade, em toda sua história, tem sido fundamental na reprodução da estrutura de classes da sociedade; elitista e alienada, confirma seu mandato de guardiã da cultura (dominante), de formadora de quadros (dirigentes), de produtora de conhecimento e tecnologia (economicamente relevantes) e de capital simbólico (politicamente apropriado).
Nessa perspectiva, a universidade gera e gerencia capital científico e cultural essenciais para o modo de produção capitalista, além de atuar como formadora de quadros orgânicos das classes dominantes. Sua ação é social e politicamente relevante não só para a reprodução da instituição mas também para a reprodução ampliada da estrutura de classes.
Simpatizo mais com a tese dois, formulada há mais de 40 anos por Anísio Teixeira, notável educador baiano, como argumento central de sua visão política da educação. Anísio defendia que a revolução democrática, pacífica e sustentável será viabilizada pela universalização da educação nos níveis iniciais -como condição de emancipação política e de equidade social- e por ampla oportunidade de acesso à formação universitária -determinante do desenvolvimento econômico e humano das nações.
A educação, no sentido de formação de cidadãos cultos, críticos e livres, é sem dúvida uma das maneiras eficientes de superar não só crises mas também estruturas e conjunturas. E o que fazer quando é a própria universidade que se supõe em crise?
Isso nos leva à tese três, formulada por Boaventura Santos, sociólogo e pensador lusitano, reconhecido por suas análises da crise de identidade da universidade velha. A universidade, em sua nova história, será necessária, quiçá imprescindível, à superação da sociedade de classes. Comprometida com a transformação social, confirmará sua missão de promotora da etnodiversidade, fomentadora da epistemodiversidade e formadora de cidadãos críticos e engajados.
A etnodiversidade corresponde ao interculturalismo que enriquece (e conflita) o mundo globalizado, e o que chamo de epistemodiversidade tem o nome de ecologia dos saberes na obra de Boaventura.
A quarta tese foi proposta em 1978 por Milton Santos, geógrafo e pensador baiano, num livro chamado “Por uma Geografia Nova”. Essa tese valoriza o novo, “o ainda não feito ou não codificado (…), o desconhecido [que] só pode ser conceitualizado com imaginação, e não com certezas”.
Mais que nunca, é preciso ser criativo para imaginar, experimentar e realizar algo que ainda não havia sido tentado. A tese Milton Santos é uma proposta metodológica desafiadora e ousada que, de certo modo, indica um caminho, um como fazer.
Bourdieu faz um diagnóstico preciso, mas pessimista, sem apontar saídas. Anísio, otimista quase utópico, descortina o horizonte, largo, da educação como libertação. Boaventura apresenta um projeto, digamos, realista de superação das crises políticas resultantes do afastamento da universidade das formações sociais que a aninham. E Milton nos incita a usar a imaginação para criar crises de transformação.
No ano passado, Boaventura fez uma conferência em nossa instituição. Concluiu dizendo que a missão da universidade no século 21 será formar “rebeldes competentes”, e não, eu acrescentaria, tolerar pessoas confusas e incultas, tão cheias de certezas. Nesse espírito, gostaria de concluir com uma tese-síntese.
Rejeito o pessimismo de Bourdieu e antevejo a revolução pacífica pela educação do Anísio visionário. Para enfrentar as sucessivas crises de identidade, realização e legitimidade social da universidade contemporânea, penso que já não basta recuperar tradições vazias e celebrar pactos micropolíticos. A missão da universidade no século 21 será provocar crises de transformação e renovação, que proponho chamar de crises miltonianas.
A força criativa da instituição universitária, recuperada pela experimentação de formas novas de arquitetura curricular, organização institucional e prática pedagógica, pode e deve fomentar um tipo diferente de crise, crises de renovação.
Tais crises configuram transgressões produtivas, de que a universidade brasileira tanto precisa para resgatar o atraso de sua história.


NAOMAR DE ALMEIDA FILHO , 57, doutor em epidemiologia, pesquisador 1-A do CNPq, é reitor da UFBA (Universidade Federal da Bahia) e autor, com Boaventura de Sousa Santos, de “A Universidade do Século XXI: Para uma Universidade Nova” (Almedina, 2009).

Os artigos publicados com assinatura não traduzem a opinião do jornal. Sua publicação obedece ao propósito de estimular o debate dos problemas brasileiros e mundiais e de refletir as diversas tendências do pensamento contemporâneo. debates@uol.com.br


Por um São João tradicional e sustentável

30 de Junho de 2009

Salvador, 24 de junho de 2009. A cidade, abandonada por grande parte de seus habitantes, parece engolida por uma densa nuvem. A trilha sonora poderia assustar a desavisados. Bombas explodem por segundo em todos os cantos da cidade, acompanhadas por berros entusiasmados de crianças em plena comemoração e outros não tanto felizes de bebês alheios ao que pode estar acontecendo…

Modernizadas pelas suas grandes construções e hábitos metropolitanos, as capitais não possuem mais espaços para as comemorações juninas. “São João é festa para as pequenas (cidades)”. Apesar disso, as evidências demonstram que em algum canto (ou muitos) a tradição se renova e espalha sinais para anunciar que a pretensa modernidade precisa aprender a conviver e a respeitar o que sempre foi feito.

As festas juninas são, sem dúvida, uma das mais fortes tradições da região nordeste. Carregadas de simbolismo, crenças e muito regionalismo, as comemorações representam um dos períodos festivos mais esperados pelos nordestinos. É impressionante a nostalgia que carrega tanto para quem nasceu por aqui, quanto para quem vive ou já conheceu esta realidade. Muitos hábitos praticados neste período precisam ser valorizados e estimulados em virtude das características saudáveis que carregam, a saber a interiorização econômica (mesmo que temporária) para cidades onde são comemoradas as festas, a manutenção e valorização das tradições culturais e do regionalismo, a culinária, dentre tantas outras. A música e o folclore são capítulos à parte e conduzem-nos a um imaginário comum, que incorpora as “quadrilhas” a um clima de plena harmonia.

Indiscutivelmente, a soma destes e de muitos outros fatores resulta em um dos mais importantes produtos turísticos que os estados do nordeste e o Brasil têm a explorar.  Porém ainda falta muito a ser feito para transformar este enorme potencial em um contexto que atraia o contingente de turistas e de gastos que podemos receber.

Aliás, vale lembrar que os jogos da Copa de 2014 no Brasil, terão 4 estados nordestinos como sede e acontecerão em torno das festas juninas. Ou seja, temos uma enorme oportunidade de internacionalizar este calendário e atrair paralelamente aos jogos da Copa um público estrangeiro esperado.

Não é necessário relembrar das necessidades de infra-estrutura, estradas, sinalização turística, operadores turísticos qualificados, rede elétrica adequada, esgotamento sanitário, água tratada, serviços de saúde etc. A pauta de trabalho é extensa e depende sobretudo de uma concertação entre o poder público e a iniciativa privada, em especial o trade turístico.

No entanto, fazer o que tem de ser feito não é suficiente para que o calendário junino do Nordeste entre de vez na agenda do turismo internacional e nacional. Temos que inovar! E, para isso, a sustentabilidade ambiental das festas juninas é um tema que precisa ser discutido.

Quantas toneladas de pólvora são queimadas durante o período junino?

Quantas toneladas de madeira (não certificada) são queimadas?

Não conheço estudos que estimem a emissão de CO2 na atmosfera durante esse período e o impacto para o efeito estufa, aquecimento global, derretimento de geleiras, mas sem dúvida é um tema que merece especial atenção.

Outros impactos ambientais também poderiam ser contabilizados:  queima de balões e os incêndios provocados por estes, poluição sonora e muito sangue derramado. Durante o São João, somente o banco de sangue do estado da Bahia (Hemoba) estima necessitar de pelo menos 20% a mais do que seu estoque habitual para suprir atendimento a queimados, acidentes nas estradas, entre outras necessidades do período.

Apesar de tudo isso, é uma das melhores experiências turísticas, comparável ao carnaval. E é por isso que a festa deve ser zelada, aperfeiçoada com base em uma pauta de pesquisa, desenvolvimento e muita inovação para gerarmos um São João sustentável.

Qual será primeira cidade a levantar esta bandeira? O desafio está lançado!

Quem está pesquisando ou deseja pesquisar tecnologias para solucionar estas questões? 

Os benefícios gerados são inúmeros: créditos de carbono, atração de turistas com poder aquisitivo mais elevado, bem estar da população e uma marca que jamais será esquecida.

Um novo tempo em que se preservem as tradições, valorizando os novos paradigmas globais. Todos os santos agradecem!


A Copa de 2014, oportunidades e desafios

2 de Junho de 2009

A divulgação oficial sobre as cidades escolhidas para sediar a Copa de 2014 (re)acendeu a atenção brasileira para as oportunidades e os desafios que estão pela frente.

Para os governantes, surge uma grande janela para a viabilização de projetos estruturantes e a alavancagem da nossa economia, assim como do desenvolvimento urbano e social do nosso país.

Para a iniciativa privada, por outro lado, os desafios também são enormes, proporcionais às oportunidades que serão gerada pela visita de milhões de turistas antes, durante e depois da Copa, além de uma enorme visibilidade para nossas marcas em escala global.

Deparamo-nos com a necessidade explicita da inovação e do fortalecimento de cadeias inteiras em novas bases competitivas. Novos padrões de estádio, meios de transporte mais eficientes e seguros, hospedagem, entretenimento, souvenirs, assistência à saúde com padrão global e profissionais com capacidade de comunicação em outras linguas etc…

Ou seja, temos muito dever de casa para fazer. Alguns mais triviais, baseados em excelentes bechmarkings das últimas Copas, e outros que devem ter um toque que somente os brasileiros possuem, que marque a história do futebol e do turismo mundial.

É uma oportunidade rara de diversificar, qualificar e incrementar o volume turístico internacional no Brasil e corrigir a incompatibilidade do volume e da qualidade do turismo no Brasil, frente ao potencial existente em nossa extensão continental.

Se o problema era logísitico, é hora de novos voos, aeroportos, operadores etc.

Se era falta de visibilidade e atrativos, além de tudo, temos a sorte de ter uma população apaixonada pelo futebol e de ser o único país pentacampeão, um destino verdadeiramente 5 estrelas, pelo menos em termos futebolísticos.

O assunto é tão bom que vamos aproveitar para mudar o tema desse Blog. Chega de “Crise”, vamos falar de oportunidades e da “nova” econonomia do pós-crise.


Inovação, casas populares e uma nova importância do consumidor de baixa renda

12 de Maio de 2009

Imagine você comprar uma casa popular de até 43,2 metros quadrados, por aproximadamente R$16 mil???

O grupo indiano Tata imaginou e está colocando em prática, logo depois de ter lançado o carro mais barato do mundo, o Nano.

Veja mais na matéria da revista Epoca Negócio <Depois do carro mais barato do mundo, Tata lançará casa a partir de R$ 16,1 mil>.

A propósito, continuamos a verificar recordes de visitações aos posts deste blog sobre o programa do Governo Federal “Minha Casa, Minha Vida” e sobre o site “Confiança no Brasil”. Constatatação clara da importância do Programa e da enorme demanda por habitações populares e por linhas de financiamento adequadas.

Chegou a hora de inovar de verdade no mercado imobiliário no Brasil. Ou será que vamos esperar a Tata chegar?