Início do final da crise?

21 de Julho de 2009

A divulgação do Índice de Confiança do Empresário Industrial, medido pela CNI (Confederação Nacional da Indústria) com o empresariado divulgada ontem demonstra sinais de que podemos estar deixando os momentos mais graves da crise, que definitivamente não foi uma “marolinha”, e retomando uma curva ascendente de crescimento.

Evidente que ainda é muito cedo, os sinais globais não permitem otimismo, principalmente aqueles oriundos da Europa, do Japão e ainda dos EUA.

De qualquer modo, é a primeira vez que alguns dos indicadores revertem os sinais negativos e isso anima o empresariado, que contribuiu para a criação de um ânimo diferente, típico de início do segundo semestre, quando se aproximam os momentos de aquecimento da demanda interna em diversos setores.

Enquanto os sinais não ficam mais claros, cabe retomar uma pérola dita em recente palestra por José Roberto Mendonça de Barros, no evento de estreia da Link Investimentos e da Proinvestors na Bahia, quando afirmou que “devemos atravessar o deserto de caixa, sem matar o futuro”.

Com indícios de retomada, ainda que a níveis claramente mais baixos do que nos anos recentes, as preocupações com gestão, racionalização, downsizing e custos continuam válidas, mas a inovação está sendo entendida por todos os especialistas em desenvolvimento como o elemento-chave do novo ciclo.

Recente estudo da OCDE http://www.oecd.org/dataoecd/59/45/42983414.pdf destaca que “A crise atual é a primeira desta severidade a se abater sobre os países da OCDE desde que eles se tornaram economias de serviço baseadas em conhecimento” e aponta o papel da inovação para o desenvolvimento no longo prazo.

Então, é hora de cuidar do futuro, ainda que as dificuldades do presente estejam aí para serem superadas. E a inovação é uma aposta segura para caminhar em direção ao futuro.

Relembrando o clássico “Um TOC na cuca” de Roger von Oech, está na hora de romper os bloqueios mentais com um pensamento inovador, pois é questão de sobrevivência.


Inovação nas organizações em tempos de crise global

28 de Abril de 2009

 

O Pôr-do-Sol pode ser visto como o final... ou a inspiração...

Análise de viabilidade, planos de negócios, identificação de concorrentes, propriedade intelectual, discussão de novas ideias, desenvolvimento de produtos, serviços, processos de produção, modelos de negócios, estratégias.

Os últimos dias foram de grande movimentação nas empresas baianas.

Os recursos públicos para financiamento não-reembolsável são cada vez mais demandados pelas organizações mais competitivas.

As oportunidades de captação em função dos editais de subvenção econômica geraram intensa mobilização.

No caso da Bahia, foram disponibilizados R$ 460 milhões, através da FINEP (recursos nacionais e concorrência em todo o território nacional) e da Fapesb (recursos estaduais).

Em nossa experiência recente, na função de apoiadores de empresas na elaboração de seus projetos, observamos projetos mais amadurecidos, ideias ousadas, inovações de impacto nacional e global surgidas na Bahia.

A sensação é que teremos mais projetos locais aprovados nos editais nacionais, apesar da ampliação da competição nacional.

Alguns projetos são realmente empolgantes e terão resultados importantes, servindo de exemplo para outros empreendedores, criando um efeito positivo e estimulante na sociedade baiana.

A dinâmica do primeiro trimestre de 2009 foi viabilizada por conta dos avanços recentes em inovação no Brasil e na Bahia.

Nesta década, são muitos fatores positivos: fundos setoriais, lei de inovação, lei do bem, benefícios fiscais à inovação, política industrial, lei de biossegurança, instituições estaduais de ciência e tecnologia, ampliação dos recursos, editais periódicos, informatização dos processos, alianças estratégicas. 

Todos estes fatos criaram um ambiente propício para a participação das empresas no processo.

Algumas organizações entenderam o novo rumo e dedicaram esforços consideráveis.

Até setembro de 2008, vivíamos uma época de ouro, com um crescimento inédito para toda uma geração.

Mas veio a crise global, a reversão das expectativas e “caímos na real”.

Com a crise, que não é marola, a inovação passa a ser questionada, pois há pressão para redução de estruturas, contenção de gastos, novo planejamento das ações, restrições de diversas ordens.

Muitos dizem que é o momento de segurar o caixa, reduzir os riscos e a exposição.

Será que inovação continua importante?

É possível aprofundar os esforços de inovação em tempos de crise?

Não há outra solução!

A inovação é um dos elementos fundamentais para a superação da crise.

Inovar é exatamente otimizar estruturas, conter gastos, planejar de modo realista, reduzir riscos.

É fazer melhor com menos.

É crescer, encontrando espaços favoráveis.

Inovar é construir o futuro, mobilizar recursos para prioridades, sustentar a organização com base nas novas ideias, valorizando a trajetória histórica.

Porém, não basta vontade, apesar de ser fundamental.

A viabilização da inovação nas organizações exige alguns cuidados especiais.

Primeiro, inserir definitivamente a inovação na estratégia da empresa, desde o planejamento estratégico.

Segundo, sensibilizar as pessoas, cultivando uma verdadeira cultura de inovação desde a base. Algumas das melhores ideias surgem da interação entre os diversos setores, experiências e qualificações.

Terceiro, estruturar o processo de inovação, criando procedimentos, instâncias de decisão, implantando sistemas de gestão, definindo fluxos e regras, inclusive de participação nos resultados das “sacadas geniais”.

Quarto, organizar uma competente sistemática de monitoramento de oportunidades, tanto de financiamentos quanto de mercado, para direcionar ações com o maior potencial possível.

A propriedade intelectual deve ser foco de atenção ao longo de todo o processo.

Por fim, com todos os pré-requisitos contemplados, vivenciar a inovação como questão central da organização, valorizando o surgimento das ideias, avaliando sistematicamente seu potencial, planejando seu desenvolvimento, construindo parcerias com a academia, fornecedores e clientes, elaborando protótipos, realizando testes e ajustando as características do novo à demanda.  

Para a inovação ser sustentável, não pode ser fruto de arroubos em função de editais públicos.

Ela deve estar entranhada no cerne das organizações, como elemento decisivo da competitividade e da sustentabilidade.

A inovação é viabilizadora da prosperidade e da permanência no mercado.

Deve ser tratada como uma grande idéia.