FSP: “Diagnóstico fechado”

22 de Agosto de 2009

 

O jornal Folha de São Paulo publicou editorial neste sábado, 22 de agosto, sobre o Movimento Empresarial pela Inovação (MEI) e o 3o Congresso de Inovação na Indústrial, ressaltando a importância da inovação para a competitividade empresarial nacional e a importância do investimento privado. Leia a seguir:

 

Diagnóstico fechado

É consenso que o setor privado precisa investir mais em inovação, mas novo salto depende de indução do Estado

A REALIZAÇÃO do 3º Congresso de Inovação na Indústria pela Confederação Nacional da Indústria, que também patrocina o Movimento Empresarial pela Inovação, demonstra que pesquisa e desenvolvimento (P&D) entraram para o rol de prioridades do setor. Empresas privadas brasileiras investem pouco em inovação, o que enfraquece um elo decisivo na cadeia da competitividade.
Vários outros países pelejam para aumentar o investimento em inovação como parcela do PIB e a fatia do setor privado nessa conta.
Segundo Jean Guinet, economista da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico, apresenta grande inércia a correlação entre níveis baixos de PIB per capita, gasto em P&D e envolvimento privado em inovação. O Brasil é um caso de manual. Mesmo a meta modesta de elevar o investimento para 1,5% do PIB em 2010, com 0,65% de participação privada, ainda é encarada com ceticismo.
Entre as nações que escaparam desse círculo vicioso estão Finlândia e Coreia do Sul; não por acaso, dois países que desde cedo investiram na qualidade da educação pública. Sem uma massa de trabalhadores qualificados, empresas encontram dificuldade para adotar uma cultura de inovação permanente.
Além disso, as empresas precisam enxergar a inovação como necessidade econômica e oportunidade. Nesse campo, o papel indutor do Estado pode ser decisivo, como fez a Coreia em décadas passadas -hoje, 76% do investimento sul-coreano em inovação ocorre nas empresas.
Esgotou-se o modelo de concentrar investimento de P&D em gigantes estatais. Em busca de disseminar a inovação no setor privado, o governo deu passos importantes, por exemplo na Lei de Inovação, de 2004. Ainda são poucas, porém, as empresas que lançam mão de novos incentivos: 320 em 2007, segundo o jornal “Valor”.
Especialistas em política de inovação convergem para a ideia de que a saída está na utilização do poder de compra do Estado. Ou seja, dar preferência a produtos desenvolvidos no país, inclusive por empresas estrangeiras, sob a condição de realizarem atividades de P&D no Brasil.
A proposta vai na direção correta. É preciso cautela, contudo, para não criar becos sem saída, como a reserva de mercado para informática dos anos 1980, e não suscitar contenciosos na Organização Mundial do Comércio.


Por um São João tradicional e sustentável

30 de Junho de 2009

Salvador, 24 de junho de 2009. A cidade, abandonada por grande parte de seus habitantes, parece engolida por uma densa nuvem. A trilha sonora poderia assustar a desavisados. Bombas explodem por segundo em todos os cantos da cidade, acompanhadas por berros entusiasmados de crianças em plena comemoração e outros não tanto felizes de bebês alheios ao que pode estar acontecendo…

Modernizadas pelas suas grandes construções e hábitos metropolitanos, as capitais não possuem mais espaços para as comemorações juninas. “São João é festa para as pequenas (cidades)”. Apesar disso, as evidências demonstram que em algum canto (ou muitos) a tradição se renova e espalha sinais para anunciar que a pretensa modernidade precisa aprender a conviver e a respeitar o que sempre foi feito.

As festas juninas são, sem dúvida, uma das mais fortes tradições da região nordeste. Carregadas de simbolismo, crenças e muito regionalismo, as comemorações representam um dos períodos festivos mais esperados pelos nordestinos. É impressionante a nostalgia que carrega tanto para quem nasceu por aqui, quanto para quem vive ou já conheceu esta realidade. Muitos hábitos praticados neste período precisam ser valorizados e estimulados em virtude das características saudáveis que carregam, a saber a interiorização econômica (mesmo que temporária) para cidades onde são comemoradas as festas, a manutenção e valorização das tradições culturais e do regionalismo, a culinária, dentre tantas outras. A música e o folclore são capítulos à parte e conduzem-nos a um imaginário comum, que incorpora as “quadrilhas” a um clima de plena harmonia.

Indiscutivelmente, a soma destes e de muitos outros fatores resulta em um dos mais importantes produtos turísticos que os estados do nordeste e o Brasil têm a explorar.  Porém ainda falta muito a ser feito para transformar este enorme potencial em um contexto que atraia o contingente de turistas e de gastos que podemos receber.

Aliás, vale lembrar que os jogos da Copa de 2014 no Brasil, terão 4 estados nordestinos como sede e acontecerão em torno das festas juninas. Ou seja, temos uma enorme oportunidade de internacionalizar este calendário e atrair paralelamente aos jogos da Copa um público estrangeiro esperado.

Não é necessário relembrar das necessidades de infra-estrutura, estradas, sinalização turística, operadores turísticos qualificados, rede elétrica adequada, esgotamento sanitário, água tratada, serviços de saúde etc. A pauta de trabalho é extensa e depende sobretudo de uma concertação entre o poder público e a iniciativa privada, em especial o trade turístico.

No entanto, fazer o que tem de ser feito não é suficiente para que o calendário junino do Nordeste entre de vez na agenda do turismo internacional e nacional. Temos que inovar! E, para isso, a sustentabilidade ambiental das festas juninas é um tema que precisa ser discutido.

Quantas toneladas de pólvora são queimadas durante o período junino?

Quantas toneladas de madeira (não certificada) são queimadas?

Não conheço estudos que estimem a emissão de CO2 na atmosfera durante esse período e o impacto para o efeito estufa, aquecimento global, derretimento de geleiras, mas sem dúvida é um tema que merece especial atenção.

Outros impactos ambientais também poderiam ser contabilizados:  queima de balões e os incêndios provocados por estes, poluição sonora e muito sangue derramado. Durante o São João, somente o banco de sangue do estado da Bahia (Hemoba) estima necessitar de pelo menos 20% a mais do que seu estoque habitual para suprir atendimento a queimados, acidentes nas estradas, entre outras necessidades do período.

Apesar de tudo isso, é uma das melhores experiências turísticas, comparável ao carnaval. E é por isso que a festa deve ser zelada, aperfeiçoada com base em uma pauta de pesquisa, desenvolvimento e muita inovação para gerarmos um São João sustentável.

Qual será primeira cidade a levantar esta bandeira? O desafio está lançado!

Quem está pesquisando ou deseja pesquisar tecnologias para solucionar estas questões? 

Os benefícios gerados são inúmeros: créditos de carbono, atração de turistas com poder aquisitivo mais elevado, bem estar da população e uma marca que jamais será esquecida.

Um novo tempo em que se preservem as tradições, valorizando os novos paradigmas globais. Todos os santos agradecem!


Profissões ligadas à Inovação estarão entre as mais promissoras até 2020

26 de Março de 2009

 

Profissões ligadas à inovação e sustentabilidade se consolidarão como as mais promissoras até 2020. É o que aponta a pesquisa concluída pelo Profuturo (Programa de Estudos do Futuro) da FIA (Fundação Instituto de Administração).

A crescente demanda governamental e social por um perfil eficiente de empresas ambietalmente sustentáveis e o maior diálogo entre as comunidades e as ONGs faz dos gerentes de ecorrelações alcançarem o topo da lista, sendo a carreira citada por 72% dos especialistas consultados.

Em segundo lugar (67%), a de CIO (Chief Innovation Officer), é uma resposta à competitividade do ambiente corporativo e a constante necessidade de inovação e capacitação para se destacar no mercado, onde a inovação vai além do foco em desenvolvimento de novos produtos, englobando melhoramento de processos, desenvolvimento tecnológico e educação continuada.

A área de marketing ocupa o terceiro lugar.  O gerente de marketing e-commerce (46%) deve ser um profissional multicanal, que explora e cria diversas mídias, principalmente as on-line, fluxo natural do aumento de número de acessos à internet e maior tempo gasto pela população em frente ao computador.

Os setores preocupados com a longevidade e qualidade de vida também foram listadas como promissoras: conselheiro de aposentadoria (39%), coordenador de desenvolvimento de força de trabalho e educação continuada (35%) e “bioinformationist” (34%).

A primeira auxiliará o executivo ao preparar a aposentadoria. Já o coordenador de desenvolvimento ajudará o profissional a se qualificar melhor. Os “bioinformationists” se dedicarão às pesquisas na área genética, por exemplo, para que isso seja aplicado em técnicas clínicas e medicamentos.

Clique aqui para ler a matéria da Folha de São Paulo


Crise e um novo modelo

2 de Fevereiro de 2009

A crise que se apresenta tem sinais de gravidade. Os índices, as previsões e os números indicam uma situação preocupante. Possivelmente, o momento econômico mais restritivo desde o pós-guerra. Ainda que paire no ar alguma dúvida sobre a real dimensão do problema, caso se confirmem as expectativas de especialistas, estamos diante não apenas de um momento de crise, mas do esgotamento de um modelo. Atualmente, a vida na Terra está fortemente baseada na lógica desenvolvimento tecnológico – escala de produção – mercado em expansão, que permitiu o acesso aos bens de consumo, saúde, educação e infra-estrutura à boa parte da humanidade. Esse modo de vida ofertou esses benefícios aos países desenvolvidos e partes do resto do mundo, mas não conseguiu incluir um grande contingente populacional que vive à margem do progresso. Mesmo assim, esse modelo de desenvolvimento não está ruindo pro pressão social dos menos favorecidos ou movimentos populares de massa. Ele se desmonta a partir dos defeitos originais de sua concepção, com riscos concentrados em grandes corporações, acumulação livre e desenfreada, ambição ilimitada e interesses privados privilegiados sobre o bem social. 

Ou seja, e cada vez mais ouvimos isso no atual contexto, a superação da crise econômica mundial passa pela mudança de modelo. Conforme amplamente divulgado por conta do Fórum Social Mundial – Belém 2009, será que estamos diante da crise definitiva do regime capitalista? 

Que novo modelo pode ser sustentável a longo prazo?

O caminho ainda não está claramente definido, pode ser que não chegue a tanto, mas algumas tendências estão fortes. São elas:

1) A valorização da sustentabilidade: as preocupações com o futuro do planeta estão, definitivamente, no centro da agenda e devem assumir papel ainda mais relevante no novo modelo;

2) Um modelo de desenvolvimento mais humano: a exclusão de regiões, países e povos é inssutentável no século XXI, pois contradiz a racionalidade humana;

3) A importância do conhecimento: como meio de superação dos desafios, através da incorporação de métodos, ferramentas e tecnologias aplicados à saúde, educação, meio ambiente, governo, infra-estrutura.

E aí, você está preparado para esse novo tempo?

Vamos trabalhar para isso?

PS: Uma leitura muito útil nesse momento e que pode trazer alguma luz ao debate é “Presença: propósito humano e o campo do futuro”, escrito pelas “feras” Peter Senge, Otto Scharmer, Joseph Jaworski e Betty Sue Flowers. Trata sobre a Teoria U e os principais limites do modelo atual.